Planta na Mente.

O coletivo canábico carioca que encontrou no Carnaval uma forma de fazer política através da arte.

Planta na Mente.

01 · O coletivo

Planta na mente no Leme.
Planta na Mente em ensaio aberto no Leme.

Mais que um bloco, um coletivo.

Fundado em setembro de 2010 por um grupo de amigos, o coletivo surgiu a partir do encontro entre pessoas envolvidas com o ativismo antiproibicionista e a efervescência do Carnaval de rua do Rio de Janeiro. A proposta era experimentar uma nova forma de comunicação política: falar sobre a maconha em um espaço público, popular e festivo, utilizando a música, a paródia, o humor e a irreverência característicos do Carnaval.

Planta na Mente é cultura, política, festa, formação, luta e ocupação do espaço público.

Desde então, o Planta se tornou uma experiência que ultrapassa a definição de um bloco carnavalesco. O Carnaval continua sendo sua principal linguagem e seu momento de maior visibilidade, mas o coletivo também participa de Marchas da Maconha, promove oficinas, debates, cineclubes, eventos culturais e outras atividades relacionadas à política de drogas, à redução de danos e à cultura canábica.

Hoje, o Planta se define como um coletivo ativista independente com gestão horizontal e participativa. Sua existência depende da colaboração de muitas pessoas, entre participantes, músicos, produtores, monitores e outros profissionais envolvidos nas diferentes etapas de construção das atividades.


02 · História

Uma ideia que nasceu entre ativismo e Carnaval.

O Planta nasceu em um período de transformações importantes tanto no ativismo antiproibicionista quanto no Carnaval de rua carioca.

Depois das primeiras manifestações da Marcha da Maconha sofrerem repressão, ativistas buscavam novas maneiras de ampliar o debate público sobre a legalização. Ao mesmo tempo, o Rio de Janeiro vivia a retomada de circuitos tradicionais do Carnaval de rua e o surgimento de novos blocos e formas de ocupação da cidade.

Nesse contexto surgiu a ideia de criar um bloco que falasse sobre as experiências de usuários e cultivadores de maconha e sobre a população afetada pela chamada guerra às drogas.

2010

Fundação e primeiros passos

Nasce o Planta na Mente e, poucos meses depois, o bloco faz sua primeira apresentação pública.

2011

O primeiro Carnaval

Ensaios abertos, apresentações e as primeiras ocupações carnavalescas das ruas da Lapa.

2011–13

De bloco a coletivo

Ensaios, festas, comunicação e ativismo fazem o Planta crescer para muito além do Carnaval.

2014–16

Crescimento e amadurecimento

O bloco amplia seus desfiles, amadurece musicalmente e inicia uma estrutura permanente de formação.

2017–19

Profissionalizar sem perder a essência

Oficinas, produção e articulação com outros blocos levam o Planta a uma nova escala de organização.

2020–22

Da pandemia ao retorno às ruas

Impedido de ocupar as ruas, o Planta se reinventa, preserva sua memória e, dois anos depois, reencontra sua comunidade no Carnaval.

2022–24

Reconstrução e renovação

Novas gerações renovam o coletivo enquanto o Carnaval ganha novas dimensões artísticas, políticas e narrativas.

2024–25

15 anos e novos caminhos

O Planta celebra sua história enquanto transforma experiência e memória em caminhos para o futuro.

Hoje

Um coletivo em movimento

Uma história que continua sendo escrita entre música, Carnaval, ativismo e comunidade.


Paródias
Uma das paródias cantadas pelo Planta na Mente.

03 · Carnaval, arte e política

A paródia como forma de manifesto.

Desde os primeiros anos, a música foi muito mais do que trilha sonora para o desfile.

As paródias se tornaram uma das principais formas de comunicação política do Planta. A partir de marchinhas populares e outras músicas conhecidas pelo público, o coletivo passou a criar novos sentidos para músicas que já faziam parte do imaginário do Carnaval brasileiro. As primeiras ideias surgem nas rodas de encontro entre integrantes, são complementadas durante ensaios e oficinas e, muitas vezes, enriquecidas por sugestões de amigos e foliões. Ou então, aparecem em concursos abertos, como o caso de Allah-la Boldo.

Humor para quebrar tabus.
Música para aproximar.
Paródia para provocar reflexão.

Durante os desfiles, as versões do Planta são cantadas a plenos pulmões tanto por integrantes do coletivo quanto pelo público, que diverte-se com as criações. A produção do coletivo disponibiliza as paródias tanto de forma digital quanto distribui panfletos com as letras antes do desfile para que todos entrem na festa.


04 · Nossas lutas

Legalização é só o início da conversa.

O Planta defende a legalização da cannabis para todos os usos. Mas legalização plena só existe com transformação social.

A discussão sobre legalização está diretamente relacionada aos efeitos sociais da política de proibição, incluindo encarceramento, violência policial, desigualdade e os impactos da chamada guerra às drogas. Embora o desfile seja o momento mais visível do Planta, a luta ocorre durante todo o ano. Ao longo de sua história e até os dias de hoje, o coletivo participa de Marchas da Maconha, cineclubes, debates, festas, oficinas e diversas outras atividades culturais e políticas que discutem a legalização da cannabis no Brasil.

Santo Amaro
Apresentação na Roda Cultural do Morro do Santo Amaro.
Méier
Desfile na Livraria Belle Époque, no Méier.
Vila da Penha
Ensaio aberto no Manga Rosa Café, na Vila da Penha.
Santo Amaro
Ensaio aberto no entorno do estádio do Engenhão, no Engenho de Dentro.
Méier
Participação na Marcha da Maconha de São Paulo.

O coletivo se preocupa em fomentar essa discussão não somente entre pessoas privilegiadas que vivem em áreas nobres, mas também em zonas periféricas da cidade e do estado, onde o preconceito e a violência causados pela política estatal de guerra às drogas são ainda maiores. Todos os anos, o coletivo leva o debate às zona Norte e Oeste do Rio de Janeiro, em bairros como Realengo, Vila da Penha, Vista Alegre, Méier, entre outros, além de estar presente em Marchas da Maconha e outras manifestações em diferentes cidades do estado do Rio e do Brasil. Assim, o Planta se entende como um coletivo que deve se integrar e buscar sempre fazer parte de uma rede maior de iniciativas que discutem políticas de drogas, redução de danos, saúde, direitos e justiça social para além das elites.

Planta na Mente em Realengo.
Planta na Mente em apresentação no Espaço Cultural Viaduto de Realengo.

Assim, acreditamos que a luta antiproibicionista só faz sentido quando aliada às demais lutas de transformação social. E o Planta reconhece que não há justiça social e legalização para todos sem o combate ao racismo estrutural, à misoginia, LGBTfobia, xenofobia, ideologias e movimentos antidemocráticos, discursos de ódio e quaisquer outras formas de opressão a minorias. Para além da causa da legalização, buscamos realizar festas populares livres de preconceito e defendemos um Carnaval onde todas as raças, classes sociais, identidades e expressões de gênero estejam representadas e sejam respeitadas e valorizadas. Também não toleramos, em qualquer hipótese, comportamentos que vão de encontro a esses valores, que são inegociáveis para nós.


05 · Como nos organizamos

Participação e autogestão.

O Planta é um projeto independente e busca manter uma estrutura de organização baseada na participação coletiva.

Colocar um bloco na rua exige uma comunidade inteira: músicos, percussionistas, produtores, monitores, designers, técnicos, fotógrafos, cinegrafistas, dançarinos e outros profissionais. Contamos com equipes formadas por esses profisionais que, de forma voluntária, garantem a organização do coletivo em diversas frentes, como jurídico, comunicação, financeiro, entre outros. Cada passo é planejado com cuidado e compromisso para que todo evento promovido por nós seja potente, seguro e inclusivo.

A gestão das atividades é horizontal e participativa, com membros antigos e novos sendo igualmente importantes. Com frequência, convocamos reuniões abertas e assembleias para que todos os integrantes tenham voz para opinar nas decisões. Assim, estamos sempre construindo de forma colaborativa e pensando no melhor para o coletivo.

A melhor forma de participar do Planta na Mente é através das Oficinas que são oferecidas anualmente, mas também temos a Jardinagem ou qualquer outra forma que você entenda que pode colaborar com a causa (entre em contato!). No fim, o mais importante é participar: sempre estimulamos quem deseja colaborar conosco, da forma que cada um puder.

Gestão.
Equipe de monitores do Planta na Mente em 2026.

Oficinas

Aprendizado e convivência

As oficinas são a principal porta de entrada para quem quer participar diretamente do bloco. São espaços de aprendizado, convivência, criação e preparação.

Trabalho voluntário

Feito por muitas mãos

O trabalho de produtores e monitores é voluntário. Ao longo de sua história, cerca de 200 pessoas já chegaram a integrar a equipe responsável pela realização do desfile.

Sustentação

Construir para continuar

Manter um projeto dessa dimensão exige recursos, equipe, equipamentos e uma estrutura permanente de produção. Uma das fontes de receita são as mensalidades das oficinas, chamadas internamente de "intéra".


07 · Curiosidades

Pequenas histórias que também contam quem somos.

Nomes, apelidos, tradições, paródias, repressão, rádio, 4:20 e outras histórias que ajudam a explicar nossa trajetória.


08 · Uma história que continua sendo escrita

O Planta é um coletivo em movimento.

Desfile do Planta na Mente em 2025

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